Meta-Humanos e Pulsar:Ditadura Militar nos quadrinhos de Arthur Garcia

Por Miguel Rude*

*da revista digital que não saiu mais…

Ando meio enferrujado em relação a escrever qualquer coisa.

Seja lá o que essa coisa for…

Mas como a gente sempre ta incentivando uns aos outros a produzir,  calhou de Carlos Henry me passar os melhores trabalhos.

Tá, pode não ser os melhores, lógico, mas foram interessantes pra mim.

Continuar os roteiros dos “Destemidos” de Seabra e fazer uma matéria sobre Arthur Garcia.

E como eu disse que ando meio enferrujado, essa “matéria” irei fazer mediando sobre minhas experiências sobre o ‘tema’.

E isso começa em milnovecentoseelavaibolinhas… Quando internet e computador em casa de pobre era obra de filmes de ficção.

Quando a única revista de informação era a herói. Ou seria antes disso? Malditas revistas nacionais que não se põem datas…

Ah! Lembro que foi na época da editora Vidente, que estava mais pra “Valente”, porque a propostas de apenas publicar quadrinho nacional sempre me foi visto assim.

Então estava lá um garoto que vivia andando pelas bancas da cidade e sempre parava na que ficava em frente ao extinto pão de açúcar.

Sem nenhum puto no bolso folheando the age of darkness, e Cyber heróis + máquinas.

A primeira era muito cara e em inglês, então não entendi nada, achei ser importada. Só depois de alguns anos que entendi serem quadrinhos pra exportação.

A segunda me deu medo pelos nomes tronchos dos personagens: “Super-heróis Brás”? “Combatrons”? Eu ein?!?

Bom, só folheava e ia embora, foi umas das fases mais difíceis financeiramente, e no máximo, revista apenas de sebos.

Mas terminei juntando dinheiro e comprando outra em outra banca que era em formatinho e mais barata: Nova Geração que tinha matéria que falava da Image. E como sabem, garoto se impressiona por qualquer merda.

Terminou que o supermercado faliu e a banca sumiu dali.

Nunca mais vi os títulos.

O tempo passa as coisas não vão piorando, mas mudam um pouco.

A banca abriu noutro lugar e todo mês eu passava perguntando quanto era o preços das revistas lá encalhadas.

A vendedora atual se enche e diz: “Ômi, pode levar isso, que ninguém comprou faz anos! Só não diga a ninguém…”

Moça, guardei seu segredo até essa matéria.

Fui pra casa correndo ler…e adorei umas coisas e detestei outras.

Os roteiros de Arthur Garcia e João Pacheco eram muito bons. Os personagens umas porcarias.

Decidi criar os meus também, mas sempre com meu velho dicionário Aurélio de lado, que guardo até hoje pra ter nomes legais que nem a Abril colocava nos da Marvel & DC.

Tem início minhas maquinações pra dominar o mundo…

E, no segundo grau começo a ter meus primeiros contatos com desenhistas na escola, e que podiam comprar gibis pra me emprestarem.

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Era já época de Street Fighter feita por um brasileiro e a revista Herói falar da Image.

A gente adorava…E decidi voltar a juntar trocados e comprar revistas em banca de novo.

E o que vejo? Força Ômega aos moldes dos da Image (os da Trama como U.F.O. Team e as outras mazelas estavam pra sair e/ou saindo, mas só dava pra escolher um pra comprar)

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Vai Força Ômega mesmo que era do mesmo cara que fez a Cyber heróis + máquinas

Com nomes agora legais… E lógico o melhor de todos até hoje: Pulsar.

Deve ser por isso que levei, ela tinha nomes em português igual aos que eu estava pondo em meus personagens enquanto os da Trama e similares adoravam uns nomes em inglês.

Lógico que quem tava do meu lado criticou, dizendo que era ruim e blá blá blá.

Eu? Eu amei a cena de Pulsar estourando um assaltante com metrô tudo em cores aberrantes!

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*pesquizando imagens pra esse texto achei algumas imagens nesse link:

http://alexandrehq.blogspot.com.br/2011/03/colorindo-pulsar-de-arthur-garcia.html

Continuando:

Aquela coisa de ditadura que ninguém havia falado em quadrinhos,nem na escola,me fascinou.

Saí pesquisando, saí vendo documentários e etc.

A partir daí um adolescente que deve ser por natureza um rebelde e não um EMO como são hoje, comecei a mudar meus personagens de apenas violentos pra violentos com causas.

A gerar motivações inspirados em Pulsar.

E o meu “universo” era dividido como a DC do pré-crise e pós-crise…

Mas o meu começou a ser antes da ditadura, durante e após.

Mas então a Image chega ao Brasil, e eu acho uma porcaria por ter roteiros vagos.

Decido procurar coisas nacionais, mas também estavam uma porcaria.

Volto aos velhos sebos, pois lá talvez estivesse minha salvação.

E estava. A Cyber heróis + máquinas 2, as Pau Brasil da Vidente, e muito mais de outras editoras como Press e Escala.

E o que tivesse sobre Arthur Garcia eu ia lendo primeiro.

A edição número dois Força Ômega foi um lixo só (tive medo de ter pesadelos, sonhando em publicar algo daquela forma!), e percebi com isso que todo problema das publicações nacionais era um editor sem-vergonha (por que de vergonha já deviam ter morrido muitos).

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Decidi então apesar da capa da edição três ser horrível, dar uma chance pra o coitado do Pulsar.

Continuava com roteiros bons… Mas ai volta os personagens ruins, com cores de uniformes péssimas.

Percebi então que só eu dei chance a coitada da revista mal editada, pois só ficou naquele numero e a quarta nunca mais.

Mas continuo me inspirando no Pulsar, na ditadura e em meter o dedo na ferida do status quo.

Fiquei confabulando como seria reformular aquela coisa esquisita que era a Força Ômega, como seria dar continuidade em Pulsar e como meus personagens poderiam ‘beber’ dessa fonte de inspiração.

Nessa época de buscas pelo sebo me deparo também com Miracleman de Alan Moore.

E o caldo cultural fica mais temperado.

Como mencionei anteriormente sobre o problema de se editar revista, ela foi sancionada , ao menos pra mim na época, com a chegada da Master Comics e a Comics Generation da Escala.

Ao menos eu poderia ler quadrinhos nacionais de super-heróis e ver matéria dos comics americanos em paz.

Ah! E já estava comprando gibis em banca porque as coisas melhoraram e muito.

Finalmente eu soube da continuação de Pulsar e adorei, porque os heróis idiotas haviam sumido e o vilão de visual babaca agora estava 100% melhor.

E vinha cards de Pulsar e mini-pôster de Pulsar e matéria com Arthur Garcia e era isso aí.

Mas o que Alexandre Nagado tem de editor,não tem de criador e aquele Blue Fighter era muito sem noção do Kamen Rider , fora que apesar do visual do Aton ser legal as histórias eram péssimas. (Um policial atira e sai cartuchos voando…até aí tudo bem, se não tivessem desenhado…um 38!).

A revista foi pras cucuias e eu fiquei sem Pulsar pra ler …de novo!

E a revista acaba com a matéria sobre a morte de outro bom desenhista e parceiro de Arthur Garcia : o talentosíssimo João Pacheco.

Gostaria nem de mencionar que alguns anos depois invento de ter essas manias de grandezas utópicas de fazer mega-crossover de personagens, Gian Danton da corda e cojitamos de incluir o Pulsar no meio da jogada…começando toda a história da saga  de onde Pulsar acabou, com ele flutuando no espaço.

Levei logo uma patada pra acordar quando a resposta do criador foi que precisava saber porque queríamos usar seu personagem, pra que, publicar onde e essas coisas que pergunto hoje também.

Não é necessário dizer que o projeto morreu.

Mas hoje ainda torço pela volta de Pulsar as bancas, suas alfinetadas na ditadura e seus heróis ambíguos.

Com temas que ate hoje abordo em minhas aulas de arte.

E espero que quando ela seja publicada seja por um editor bem sem-vergonha.

Que essa revista passe na cara de muitos como se deve fazer uma boa história de herói nacional.

Sim, eu torço por isso.

E espero que tenham gostado de ler um pouco como um artista pode influenciar na carreira de outro.

(o titulo da matéria foi sugerido por Carlos Henry e se eu fugi muito do assunto, peço desculpas, mas como disse: estou enferrujado pra ganhar o Pulitzer)

Fecho essas humildes palavras com o comentário do próprio Arthur Garcia na revista Master Comics:

“há muita coisa que as pessoas parecem nunca prestarem atenção. Veja só: Hoje em dia, herói é aquele cara que mata pessoas. (…) Aqui no Brasil, como quem desenhava esses heróis antigos eram o EugÊnio Colonesse ,o Rodolfo Zalla e tantos outros artistas que vinham da Hq de terror, quando eles faziam super-heróis, os personagens matavam e desintegravam, coisa impensáveis  para os heróis americanos da espoca. (…) Aqueles caras por terem vindo da revistas de terror, faziam quadrinhos de super-herói que seria padrão para os heróis americanos hoje”

E com isso vejo que ele se inspirou nesses artistas pra criação de seu personagem…

Da mesma forma que me inspirei nele ao ler isso na mesma entrevista:

“Eu acho que super-herói é um gênero, assim como o infantil e todos os outros tipos. Se você pode colocar isso dentro de uma realidade brasileira, coloque.

Eu, por acaso, tenho  a seguinte opinião : Não tenho mais 16 anos, não estou mais achando que todo mundo é legal, o bem sempre vnce no final…Eu não estou mais vendo as coisas desse Jeito.”

Encerro.

* houve uma continuação na revista TEMPESTADE CEREBRAL,mas essa já outra matéria pra quando eu adquirir o exemplar…

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O Difícil Início da Carreira de Super-Herói:

O Difícil Início da Carreira de Super-Herói:

Tocha-Humana – "Oh, problemas naquele posto de gasolina. Vou lá ajudar!"

Super-Homem – "Desculpe Lois, estava tentando usar a visão de raio-X e não a de calor."

Demolidor – "Como assim meu uniforme é vermelho e amarelo?!"

Homem de Ferro – "AAATTCHIMMMMMM…. MERDAAAA!!!!"

Monstro do Pântano – "Como assim, ‘limpe os pés antes de entrar’, querida?"

Aquaman – "Blorrblur bloblogbluh blohshbluh blushblob blobglosh flush!"

Capitão América – "Como assim o escudo volt… TUM!"

Mulher-Maravilha – "Aiii! Visão de calor de novo, Clark?!"

The Flash – "Como assim o atrito do ar vai… ai, ui, ai, ui, ai, ui, ai, ui!"