Este poema só terminou bem por causa deles por Aline Telles

Duas pessoas conversam e se enxergam em mútuo elogio e charmosamente se esquivam e voltam desinteressadas para o mundo ao redor…

Queria ter ânimo para estudar o que preciso e depois quem sabe escrever um poema diferente…

Um que não abordasse sentimentos… – Um poema que não cite sentimentos. (Que pretensão a minha…)

No momento, sinto-me incapaz de costurar a minha própria história. Como cogitar a invenção de novos capítulos? …

Ernesto, um pequeno labrador marrom escuro, me olha e lambe meu pé descalço… Parece sorrir… Sorrio de volta…

A realidade é também uma religião, talvez por isso estejamos em guerra. Estamos mesmo em guerra, e eu estou tentando vencer pela via do afeto…

A amizade é realmente algo mágico… Quase todos com quem convivemos mesmo a distância, são responsáveis, ainda que não saibam, pelos retalhos que escolhemos para costurarmos nossos dias…

Já que estão todos em guerra, estou realmente tentando vencer pela via do afeto…

A realidade é também uma religião. – Repito.
Eu que não queria falar de sentimentos… Óbvio que isto é só um poema e será criticado por mim mesma: demasiado sentimental…

Depois de mergulhar fundo neste poema, até que se perca todo ar, reaprenderemos a respirar, voltando para os domínios da vida.

Sim, porque estão todos em guerra na corrida pela conquista da paz, causando todo derramamento de sangue que acham ser necessário; e eu, estou aqui, fugindo dessa paz e tentando na contramão pela via do afeto.

Em menos de 30 e poucos/muitos anos, estaremos intoleravelmente velhos. Eu, Você e todo o resto… Os que resistirem…

Muitos familiares terão partido, e as crianças de agora serão os donos dos nossos receios de hoje.

Ainda com tantas coisas por aprender, estou quase aprendendo que é quase impossível viver na prática os melhores sentimentos capazes de nos habitar, quando isso não depende só de nós…

Por enquanto, fico aqui fazendo bolinhas com o miolo do pão e jogando para Ernesto. Ele brinca e faz toda bagunça possível… Os labradores são uma raça de brincalhões.
No geral, os animais e as crianças são os únicos seres capazes de extrair o que existe de melhor em nós… Este poema só terminou bem por causa deles.

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