Manuscritos de um livro roubado

Sono eterno…

É a palavra que me define. Não sei se estou aqui ou lá…

E quando aqui, quero sumir.

E quando aqui, quero acordar.

Acabei de ler um livro  de um português que se desespera por não conseguir desenhar o que quer e como quer.

Mesmo assim apesar de tudo ele conseguiu. Ele terminou o livro e o livro foi publicado.

Apesar de tudo estou lendo.

Em uma rodoviária. Morrendo de sono, esperando o tempo passar.

Como sempre…

Como sou…

Um toco de 6b sobre um bloco de papel.

Ao todo, R$ 20,00 na conta do banco.

Recebendo torpedos de ameaças

da namorada que me deixou.

“um cara que quer ajudar um afogado e acababa afundando junto”

Não acho que minha família se orgulhe de mim… Não acho que meus amigos se orgulhem de mim. Não acho mais nada,não teorizo mais nada.

Um poço de arrogância e e prepotência caindo em si mesmo. Apenas para chegar a conclusão que não passo de uma caricatura de mim mesmo.

“O melancólico, o solitário, o criador de casos…”

E não a nada a se esperar de mim se a caricatura não virar retrato.

Como se consegue tranformar uma caricatura em um retrato realista se você nunca viu o retrato, apenas a caricatura?

 

O sono não ajuda

As explosões não permitem

A procrastinação me afasta

e o tempo passa…

os anos passam…

E o gosto amargo do desgosto é o que me resta.

Não é fácil tornar a caricatura  em  retrato e nem é fácil terminar um livro que sempre teve medo de se começar a fazer.

Ao menos, na atual situação , não cheguei ainda a pedir esmolas como o senhor a minha frente que nego por não ter nada comigo. Nada mesmo.

A não ser dúvidas…

Não posso pedir ao velho que aceite e leve minhas dúvidas.

Pois assim teria que dar aos demais minhas desculpas.

Sendo assim não posso culpar ninguém pelos meus desafetos, meus tormentos e transtornos… E assim a mim cabe o fardo de levar isso comigo e me levando ao desespero.

Gostaria que essa caricatura de mim mesmo ficasse aqui nessa rodoviária… Para nunca mais me atormentar…

Não quero mais a petulância, os estouros e as renúncias como descrições de minha pessoa.

Preciso fechar ciclos, abandonar perdas.

Abstrair as angústias latentes,pulsantes, pulgentes.

Queria passar o dia acordado e a noite dormindo.

Não viver de malditas insônias, de dores de cabeça e dias sonolentos e de péssimo rendimento.

Eu sou responsável por minhas desgraças

Eu sou o mestre de minha própria protelação.

Resistir em não se matar para ver no que vai dar.

*Rodoviária de Fortaleza-Ceará 09/06/2014 20:00hs

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Aquele que gastava o que tinha e o que não tinha em livros e revistas que sempre eram as váuvulas de escapa para se esconder do que realmente importa.

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2 comentários sobre “Manuscritos de um livro roubado

  1. Pois é…
    Hum ano depois deste post alguém vem e comenta, yo.
    Alguma coisa muda sobre a opinião que fazemos sobre nós mesmos, no espaço hum ano? Claro, mas não muito…; porque tudo faz parte de um processo que se desenvolverá mais rápido quanto mais tivermos consciência do que fazemos neste momento, hoje, agora.
    No mais, este seu momento em que se descreve aqui é o mesmo pelo que muitos de nós já passamos, e que esperamos não se repitam com muita frequência no decorrer de nossas vidas.
    Abração.

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